De Que São Feitos Os Sonhos

Uma LED ao fundo do túnel

Submetido por SMP em 30 Março, 2007 - 10:39

Este blog tem sido alvo de um lamentável abandono por quem mais devia amá-lo e acarinhá-lo. É situação que prometo resolver em breve, e que decorre tão-só de a vida fora da blogosfera florescer a ritmo incompatível com jardinagens, apesar de tudo, mais artificiais.

De qualquer forma, hoje tinha de vir aqui, anunciar que o apelo feito há quase um ano vê hoje o seu primeiro resultado público. E é assim que, pelas 18h30m, num cartório da Rua dos Sapateiros, a LED – Associação Liberdade na Era Digital vê a luz do dia.

No meu fato riscado de sempre (as saudades que eu hei-de um dia ter daquele fato), aquele que tem acompanhado os momentos mais cruciais da minha vida, lá estarei, com mais outras nove pessoas empenhadas em defender a liberdade e resistir ao marasmo, e acompanhados em espírito por pelo menos mais duas que não puderam comparecer.

Watching them back

Submetido por SMP em 23 Outubro, 2006 - 21:57

Com um atraso indesculpável para a honra de que a enche a notícia, a autora deste blog quer anunciar que a partir de agora, sempre que tiver um bocadinho de tempo, também escreve aqui. Com muita liberdade, muitas francesinhas, e muita discussão saudável. Um abraço de agradecimento aos Small Brothers, e até já.

Porto Alegre

Submetido por SMP em 12 Setembro, 2006 - 20:34

Até dia 26, estarei neste belo local. Sosseguem-se as almas, todavia, que não vou ao Fórum Social... embora não me importasse de voltar bronzeada como a Audrey Tautou no "Les Poupées Russes".
Antes estarei aqui, no XXIII Encontro dos Oficiais de Registro de Imóveis do Brasil, acedendo a um gentilíssimo convite. Deixo Portugal ao vosso cuidado. Espero que o cuidem bem, mas não me ofereço para pagar benfeitorias. Um abraço.

Quem é que eu posso processar por isto?

Submetido por SMP em 24 Agosto, 2006 - 19:14

Então anda uma pessoa durante 25 anos a decorar o nome de nove planetas e de repente lembram-se de acabar com um deles?

Coisas com swing

Submetido por SMP em 3 Agosto, 2006 - 19:00

... acordar com o «Je t'aime, moi non plus» a tocar na rádio.

Si non é vero...

Submetido por SMP em 28 Junho, 2006 - 22:50

É ben trovatto... uma canção usada nas formações da Intel chinesa para elevar o moral das trop... oops dos trabalhadores :).
Via What Tian Has Learned.

Uma canção de amor...

Submetido por SMP em 28 Junho, 2006 - 22:39

...a um bot do IRC? E o pior é que a coisa é catchy...

The Saddest Thing I Own

Submetido por SMP em 2 Maio, 2006 - 23:15

Na auto-estrada assoberbada de informação superficial que é a net, encontra-se aqui e ali um oásis de humanidade. Raro e comovente. Primeiro conheci o PostSecret, que desde então não consigo deixar de visitar semanalmente. Agora foi o The Saddest Thing I Own.
Fiquei a pensar qual seria a minha. Qual é a sua?

Priceless moment

Submetido por SMP em 29 Abril, 2006 - 19:22

Acho que sim, acho que sim. A esperança é a última a morrer... fiquem com o aplauso, que nós ficamos com os títulos.

Ratio Netis

Submetido por SMP em 30 Março, 2006 - 12:31

Depois de outro dia ter estado a rever o conteúdo de um link que trago para aqui guardado há tempos, não resisto: revelo aqui, de uma vez por todas, a última e grandiosa razão de ser da Internet.

R.I.P.

Submetido por SMP em 27 Março, 2006 - 21:33

Morreu hoje Stanislaw Lem, autor polaco conhecido, entre outros, pelos seus inteligentes escritos de ficção científica (é dele, por exemplo, a obra Solaris, já duas vezes adaptada ao cinema). A melhor homenagem a um escitor é sempre relê-lo. Sempre. Quando voltar a casa roubo ao meu pai o Congresso Futurológico.

Alvíssaras, gajeiro!

Submetido por SMP em 23 Março, 2006 - 00:09

Esta vossa humilde alcançou ontem um feito largamente esperado. Pela primeira vez, e depois de quase três anos de tentativas infrutíferas - nos quais não fechou a cadeado nenhuma universidade nem agrediu um único polícia -, alguém que não o bom (?) velho Estado pretendeu os seus serviços. Durante estes três anos, ao contrário do tipo da anedota, tive muito trabalho, mas não tive emprego. Agora, e de forma praticamente inesperada, cai-me no colo a oportunidade de aliar ao Mestrado uma experiência prática na dinâmica temática da propriedade industrial. A pantomina em que se transformou o processo de privatização da função de notário indicia que, a 17 de Abril próximo, estarei investida com o pomposo título sem disso obter mais vantagens que uma linha a mais no meu curriculum. De maneira que, por uns dias, pelo menos - enquanto durar o extâse - este desafio vai alegrar os meus dias e compensar a frustração de assistir a um Porto-Sporting em terras inimigas. E agora vou-me, que o Cornish continua à espera e, por outro lado, vão começar os penalties.

Engenharia social no desporto ou da verdadeira cara de tacho

Submetido por SMP em 15 Março, 2006 - 17:12

A 4 de Março passado, duas equipas de basquetebol universitário - uma da University of California Berkeley e outra da University of Southern California - defrontavam-se num jogo de vital importância para ambas. A malta de Berkeley saiu-se com um jogo de nervos do mais interessante e eficaz que se pode imaginar.
Durante toda a semana que antecedeu o jogo, uma suposta menina de nome Vitória conversara longamente no Instant Messenger da AOL com Gabe Pruitt, jogador da USC. A conversa (?!) correu tão bem que Pruitt planeava, juntamente com os colegas, encontrá-la e a um grupo de amigas para uma festinha privada, em Los Angeles, no regresso do jogo.
O problema é que a «Victoria» não existia. Ao entrar em campo, no Sábado, Pruitt começou a ouvir a claque opositora a chamar o nome da suposta beldade. Um dos adeptos de Berkeley levantou mesmo um cartaz com o número de telefone do jogador, que o havia fornecido via Messenger.
A cara de tacho do jogador é indescritível - melhor será vê-la aqui. Os urros de «Victoria, Victoria» duraram todo o encontro. A claque de Berkeley tivera acesso aos logs completos das conversas entre Pruitt e a menina virtual.
Aqui, o artigo do The Stanford Daily.
Via BoingBoing.
Sem grande surpresa, a performance de Pruitt não foi lá essas coisas e Berkeley ganhou...

Curioso, pero nada inútil

Submetido por SMP em 13 Março, 2006 - 23:14

O Curioso Pero Inútil está cada vez melhor e tem uma nova casa aqui. Boa sorte ao Remo e à já não tão recente aquisição, Patxi. Continuem a divertir-nos e a esclarecer-nos.

Segurança de alto nível

Submetido por SMP em 27 Janeiro, 2006 - 16:55

Vou a entrar no prédio onde estagio. Atrás de mim entra um senhor apressado e dirige-se ao elevador. O segurança, aparentemente seu velho conhecido, chama-lhe a atenção: - Então, pá, hoje vens com mais abstracção que o Einstein.
O senhor desculpa-se: - Eh pá, nem te vi, vinha a pensar.
Responde o segurança:
- Logo existes, já dizia o Descartes. Mas o nosso Damásio acha que ele não tinha razão...
Estava capaz de apostar que metade dos meus colegas advogados não eram capaz de seguir cabalmente esta conversa.

Isso quando crescer passa-lhe

Submetido por SMP em 18 Janeiro, 2006 - 17:56

No elevador do El Corte Ingles, duas senhoras falavam dos respectivos rebentos e dos receios mais ou menos irracionais que atormentavam as suas infâncias. Diz uma delas para a outra:
- Comprei-lhe aquele bicho dos tentáculos, o auto pussy ([sic]) ou lá o que é, e tenho de o ter na mesa da cozinha, porque ele não quer levá-lo para o quarto.
As crianças têm facto muita piada. Mas os adultos não lhes ficam atrás.

Lisbon revisited

Submetido por SMP em 7 Janeiro, 2006 - 07:46

Antes de ir para Lisboa, nunca me tinha apercebido do porquê de as pessoas falarem tanto numa «solidão de cidade grande». Não tinha. Quando descobri o Porto como terra-de-viver, há mais de dez anos, todos os recantos foram conquistados em companhia. Os cafés, as lojas, os jardins, as calçadas, foram todos calcorreados sempre com amigos que lhes davam o sabor da composse. As gentes em correria doida pela Rua de Santa Catarina, quando se vai entretido a conversar, não têm nada de possante. E quando as revisitamos mais tarde, mesmo sós, conservam ainda a sensação de conhecimento partilhado. Não aterram ninguém.
Já o sapatear de centenas de pés metro-escadas, escadas-metro, quando seguimos só connosco, tem muito que se lhe diga. Não é tanto o não haver alguém ao nosso lado naquele ponto concreto da urbe: é nunca ter havido, é tê-lo havido pouco. É enfrentar, sem recordações, aquela mole gigantesca de humanos perfeitamente estranhos, relativamente aos quais nem sequer existe a ilusão de nos terem conhecido contextualizados, rodeados, de nos terem sabido os contornos por confronto com algo mais que este invólucro de carne.
É nesse ponto exacto dos acontecimentos que o animal gregário que há em nós, pisoteado e esquecido, ensaia uma ressurreição. Os olhares dos desconhecidos parecem subitamente mais simpáticos (os dos desconhecidos individuais, repare-se, porque esse grande olhar desconhecido e anónimo que sai do metro em enxame assusta mais do que apela). A palavra que no nosso lar desdenharíamos soa a acordes musicais. Talvez encontre mesmo, blasfémia das blasfémias, uma resposta cortês.
A cidade é sempre muito grande para os que a tomam sós.

Isto...

Submetido por SMP em 7 Janeiro, 2006 - 07:32

Filipe II
tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro
com pedras rubis.
Cingia a cintura
com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz

Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.
O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.

Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.
Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.
Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.
Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.
Um homem tão grande
tem tudo o que quer.
O que ele não tinha
era um fecho éclair.

(António Gedeão, Poema do fecho éclair)

... foi o que me ocorreu durante a aula de Quinta-Feira sobre modelos de utilidade, patentes e desenhos industriais.

O chão que os outros pisam

Submetido por SMP em 30 Dezembro, 2005 - 02:01

Cheguei a ver, creio que no Canadá, algumas pessoas a fazer coisas interessantes com giz e o passeio que os outros pisavam, mas nada que se comparasse com o trabalho de Julian Beeves! Já agora, pagaria uns cobres para ver uma versão do Politicians Meeting their End versão portuguesa...
(Via O Farol das Artes.)

Felicidade pura

Submetido por SMP em 26 Novembro, 2005 - 17:42

As correrias Porto-Lisboa-Porto, e algum fascínio compreensível pela minha nova forma de vida, têm-me mantido arredada deste site. Mas tinha de fazer uma visita rápida para saudar um novo e quiçá o mais comovente dos blogs que tenho encontrado, posto em linha por um amigo brasileiro que não há tanto tempo honrou o Parceiro com o seu primeiro comentário num blog e agora já criou um para si próprio: o IACOMINVS. Mas mais do que o nascimento do blog, saúdo o nascimento de um seu fruto incomesuravelmente mais importante, e que podem conhecer aqui.

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