Sic Transit IP Mundi I

Submetido por SMP em 29 Março, 2006 - 21:10

Aparentemente, a possibilidade de certificação para o pão-de-ló (hummm...) divide os fabricantes de Ovar, cidade onde tive o (des)prazer de viver até aos 15 anos. Costumo dizer que, além da minha mãe, o pão-de-ló é a única coisa de jeito que Ovar viu nascer. O que me intrigou realmente foi esta parte do artigo:
Luís Duarte é o mais antigo fabricante do pão-de-ló de Ovar. A receita anda na família desde 1800. "Tenho a patente registada, clientes específicos e não quero vender em grandes superfícies", garante. A certificação do doce que patenteou em 1950 não faz parte dos seus planos. E há uma razão para isso, com documentos à mistura. O produtor recorda que, há sensivelmente 10 anos, pediu a certificação do doce vareiro ao ministério respectivo.
Tenho muitas dúvidas que tenha efectivamente sido concedida uma patente para o produto ou para o processo, atendendo, mais que não fosse, à óbvia falta de novidade (o artigo começa por dizer que o produto nasceu em 1700!!). Mas, admitindo por absurdo que o tenha sido, o senhor parece nunca ter efectivado os seus direitos contra os concorrentes, porque a sua produção proliferou em metade das casas da cidade, para venda, durante toda a metade do século passado. O que nos leva ao último reparo: o senhor parece, não apenas estar convicto de que foi titular de um direito de patente, como de que ainda o é. O que, atendendo à data da suposta concessão, não deixa de ser estranho...